Chegara o dia em que eu viveria a primeira experiência com festivais de música, o nervosismo e a tensão eram imensuráveis, a semana dos ensaios me fez estar próximo de músicos excelentes, de vários estilos. Nomes conhecidos, e outros anônimos até então para mim. Sentia-me como um estranho, a tentar participar daquela roda de pessoas que pareciam ter uma intimidade que se constituia em uma barreira para as minhas pretensões. Achava que a minha canção, era um tanto relegada a segundo plano, a um pequeno espaço para os ensaios.
E, finalmente, a emoção de cantar para uma platéia enorme, o teatro lotado. Todos os festivais são assim a ânsia de ser chamado, o temor de errar, de comprometer. E a primeira vez então... Muito tremor nas pernas, as mãos trêmulas. E bastaram os primeiros versos, as pessoas se levantando, aplaudindo, cenas tão marcantes quanto inesquecíveis. No final muitos aplausos. E a angústia de esperar o resultado. A última canção a ser anunciada como finalista foi "Temporal", a correria dos meus, abraços esfusiantemente carinhosos. A primeira etapa estava vencida.
Dois dias depois a grande final. O Mon tinha chegado ao mundo exterior no dia da eliminatória, o Ott e o Luh vieram e ficaram nos bastidores, se constituiam em muros de uma fortaleza que eu tentava construir ao redor de mim, para me proteger da minha timidez e insegurança. Como fui o último a passar o som, não cheguei a tempo de iniciar, minha canção seria a primeira a ser mostrada na final. Alguém se sentiu injustiçado, reclamou achando que seria proposital, que eu estava sendo protegido, coitado de mim. Ele não sabia, talvez nunca soube,que era humanamente impossível sair do Centur às sete e meia vir até o Una, tomar banho, se alimentar e retornar às oito em ponto, todo o trajeto de ônibus, quando entrei no palco disse que fazia parte da plebe e andava de bonde, por isso o atraso, a platéia foi ao delírio. A coordenação do festival entendeu, fui o penúltimo. Foi uma festa, algumas pessoas torciam pela minha música segurando guarda-chuvas abertos, uma alusão à "temporal". Mesmo tendo ingerido algo gelado, que não fez bem à minha voz. Mas, a reação do público foi fantástica, no final uma repórter me indagava: o que eu achava da platéia com o côro do já ganhou? No fundo eu alimentava a esperança de uma a melhor colocação. Fiquei em quarto lugar,. Alguem falou na saída: "Faz um boi que no próximo você ganha". Ora, depois absorvi muito bem tudo, nomes expressivos da música paraense ficaram colocados à frente e atrás. Talvez "Onze Bandeirinhas" de Salomão Habib merecesse vencer. Lembro do Walter Bandeira, que se apresentou como uma das atrações, naqueles intervalos entre as exposições das músicas e o resultado, falando: "A música é um tanto linear, meio Cazuza". Alguns amigos que conquistei continuam guardados bem no Fundo, Március cabral, Cacá Farias, enfim gente boa que qualquer momento a gente cruza por aí. Ah! Sim, o prêmio desse festival foi setenta fitas K-7. Marcos de um tempo de muito frissom e alegrias inesquecíveis.
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