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domingo, 17 de abril de 2011

Labaredas II


Labaredas  
(Otacio Ruy)     

Em cada gozo de saudade
As luzes da cidade,
E o céu azul de uma lembrança
Alcança o meu olhar.

Enquanto eu sonho uma promessa
A noite vai sem pressa,
E a lua acesa em labaredas
Me deixa atravessar...

O mar e o horizonte, as pontes do querer,
Um jeito de fazer meus, seus pesadelos.
Cabelos esvoaçam, caminhas na calçada
Espero a madrugada ascender ao dia.

Vôo na maresia das nuvens do mês de agosto,
Mergulho o rosto na luz esfogueada do nascente.
E a gente da praça, abraça a minha verdade,
Me deixa bem à vontade em sonhar mudar o mundo.

Então me deixo adormecer
Lembrando a graça e os trejeitos de Carlitos,
A inigualável genialidade de Chapplin.

Matagal II


 
Matagal 
(Otacio Ruy)   

Surge linda moça,
Louça feita inteira em porcelana;
Vaga feito a corsa
livre, leve e solta na savana.

Mergulho nas ondas densas,
Um transe no Nirvana;
A cabana, as pedras,
E o canto do rio.

O frio, os mariscos
Os riscos do amor
Dependem do humor dos deuses.
Às vezes naufrago,
Te trago pra mim;
E vim colher os ventos
Que se lançam ao cais.

Mais Deus tem pra nos dar 
Que um simples dom.
E o céu em neon moldura o matagal,
Sinal de uma graça
A garça de neve, leve, deve levar-me embora
Vida afora do trapiche.

Um fetiche, um bem querer.
Se deixa surpreender, finge que me devora
Lá fora a chuva cai e a noite ainda quer mais,
Desejos ancestrais que afloram em mim agora
Meu anjo do bem.
Teu sim, meu não
Meu sim, teu não.